Quando conversamos sobre a saúde circulatória, a maioria das pessoas pensa imediatamente nas varizes e nos vasinhos das pernas. No entanto, a medicina vascular cuida de uma rede ampla: o sistema de artérias que conduz o oxigênio e os nutrientes para os órgãos do seu corpo. Se você ou algum familiar recebeu recentemente o diagnóstico de um estreitamento nas artérias do pescoço e a indicação de uma cirurgia vascular em Canoas, especificamente para o tratamento de carótida, é compreensível que surjam dúvidas e inseguranças sobre o que esperar do procedimento.
O objetivo do conteúdo informativo é trazer esclarecimento sobre esse cenário. O tratamento das artérias carótidas, seja por meio da cirurgia tradicional chamada endarterectomia ou por técnicas endovasculares, atua como uma medida de prevenção. O foco principal desse procedimento é proteger o tecido cerebral e reduzir o risco de ocorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. Se você mora na Região Metropolitana e quer entender as indicações dessa cirurgia e os cuidados envolvidos, preparei este guia detalhado.
O que são as artérias carótidas e por que elas adoecem?
Para compreender a necessidade da intervenção, é importante conhecer a anatomia vascular. Você possui duas artérias carótidas principais, localizadas uma de cada lado do pescoço. Elas são os vasos sanguíneos responsáveis por conduzir o sangue rico em oxigênio do coração ao cérebro, permitindo o funcionamento regular das células cerebrais.
Ao longo dos anos, essas artérias podem sofrer com o acúmulo de placas de gordura, colesterol e cálcio em suas paredes internas, processo crônico chamado de aterosclerose. À medida que essas placas crescem, geram a chamada estenose carotídea, que consiste no estreitamento do canal por onde o sangue circula.
Existem três fatores principais que tornam essa condição um ponto de atenção para a saúde:
- A obstrução mecânica: O canal arterial estreita-se a ponto de diminuir o volume de fluxo sanguíneo direcionado ao cérebro.
- A fragmentação da placa: Pequenos pedaços dessa estrutura aterosclerótica podem se desprender da parede da carótida e ser levados pela corrente sanguínea, obstruindo um vaso menor no cérebro (causa do AVC isquêmico).
- A formação de coágulos: A superfície irregular da placa pode estimular a coagulação local, gerando uma obstrução súbita da artéria carótida.
Os principais fatores de risco que aceleram o estreitamento das carótidas e que demandam investigação clínica são o tabagismo, a hipertensão arterial não controlada, o diabetes, o colesterol elevado e o histórico familiar de eventos cardiovasculares.
O que é a Endarterectomia Carotídea e como o procedimento é realizado?
Se o exame de Eco Doppler Vascular ou a Angiotomografia apontaram a presença de um estreitamento significativo na carótida (geralmente acima de 70%, ou acima de 50% caso o paciente já tenha manifestado sintomas neurológicos prévios), a intervenção cirúrgica pode ser indicada. A técnica classicamente descrita para a resolução desse quadro é a endarterectomia.
A lógica da cirurgia consiste na remoção cirúrgica da placa de gordura de dentro da artéria. Abaixo, detalho como o procedimento é estruturado tecnicamente:
- Anestesia e Monitoramento: O procedimento é realizado em ambiente hospitalar estruturado. Pode-se optar pela anestesia geral ou por um bloqueio anestésico local associado à sedação. Durante o ato cirúrgico, as funções cerebrais e a pressão arterial são monitoradas continuamente.
- A Incisão: Realiza-se uma incisão longitudinal na lateral do pescoço, planejada de forma a acompanhar as linhas de força da pele para favorecer a evolução cicatricial.
- Isolamento e Proteção Cerebral: A artéria carótida com obstrução é localizada e o fluxo de sangue é interrompido temporariamente por meio de pinças cirúrgicas específicas. Para manter o aporte de oxigênio ao cérebro durante esse intervalo, o cirurgião pode utilizar um dispositivo de desvio provisório (chamado de shunt vascular).
- A desobstrução da artéria: Eu realizo a abertura da artéria carótida para fazer a remoção da placa de gordura que provoca o estreitamento do vaso. Com a retirada dessa placa obstrutiva, restabelecemos o canal interno da artéria, permitindo que o fluxo sanguíneo em direção ao cérebro seja normalizado.
- Fechamento da artéria: Realizo a sutura da artéria utilizando fios cirúrgicos específicos para procedimentos vasculares ou, se houver indicação técnica, aplicando um fragmento de tecido sintético ou biológico (chamado de patch vascular). Essa abordagem é adotada para reduzir o risco de um novo estreitamento do vaso na área operada. Por fim, faço a sutura da pele para a conclusão do procedimento.
A alternativa: Angioplastia com Stent
Em casos selecionados — como em pacientes idosos com contraindicações para a cirurgia aberta ou com anatomia cervical complexa —, pode-se indicar a técnica endovascular. Em vez da abordagem aberta no pescoço, introduz-se um cateter por um acesso periférico (geralmente na virilha ou no braço) guiado por radioscopia até a carótida. Realiza-se a dilatação do vaso com um balão e posiciona-se uma malha metálica (o stent) para manter o canal aberto, associando um filtro de proteção para mitigar o risco de migração de fragmentos ao cérebro.
O pós-operatório e o período de recuperação na Cirurgia Vascular em Canoas
É importante esclarecer que, embora envolva uma região vascular nobre, o período pós-operatório da endarterectomia segue protocolos previsíveis de recuperação.
Após o término do procedimento, o paciente passa as primeiras 24 horas em uma unidade de terapia intensiva (UTI) ou de cuidados semi-intensivos. Essa conduta é adotada como protocolo padrão de segurança para o monitoramento contínuo da pressão arterial e acompanhamento da adaptação cerebral ao fluxo restabelecido.
Geralmente, a transferência para o quarto ocorre no dia seguinte, com previsão de alta hospitalar entre 48 a 72 horas após a cirurgia. No ambiente domiciliar, as recomendações incluem evitar esforços físicos pesados ou o carregamento de cargas nas duas primeiras semanas, manter os cuidados locais com o curativo e seguir a prescrição de medicamentos (como antiplaquetários). O desconforto na região cervical costuma ser manejado com analgésicos habituais, e o retorno gradual às atividades rotineiras ocorre em um período médio de 15 a 30 dias.
Acompanhamento especializado na Região Metropolitana
O processo de indicação de uma intervenção na carótida demanda avaliações detalhadas e discussões claras com o paciente e seus familiares. O foco do atendimento é aliar o rigor técnico à clareza das informações.
Para os moradores de Canoas e de toda a Região Metropolitana, as consultas de avaliação e exames de triagem diagnóstica são realizados na Clinicare e na Digeclin / Maxplaza em Canoas (Avenida Getúlio Vargas), espaço estruturado com facilidade de acesso e estacionamento. Caso prefira o atendimento em Porto Alegre, as avaliações ocorrem na clínica Diagsul, localizada na Rua Ramiro Barcelos (Bairro Floresta).
As intervenções de alta complexidade são planejadas em consultório e executadas em instituições hospitalares estruturadas da nossa região, garantindo o suporte técnico necessário para o procedimento.
O diagnóstico de uma estenose carotídea permite a instituição do tratamento preventivo adequado. Se você apresenta exames que demandam avaliação, sintomas como tonturas em investigação ou deseja realizar um check-up vascular, agende uma consulta clínica.
Artigo escrito pelo Dr. Fábio Gomes (CRM-RS 26488 / RQE 17673 / RQE 23922). Este conteúdo tem caráter puramente educativo e de orientação social, não substituindo a avaliação médica em consultório para fins de diagnóstico ou tratamento de condições específicas.


