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Varizes Pélvicas e Dor Crônica na Cirurgia Vascular: Entenda a Relação

Varizes Pélvicas e Dor Crônica na Cirurgia Vascular: Entenda a Relação

No atendimento de cirurgia vascular em Porto Alegre e Canoas, recebo frequentemente mulheres em idade fértil — muitas vezes com histórico de duas ou mais gestações — que relatam um desconforto contínuo e difícil de caracterizar: uma sensação de peso, pressão ou dor constante no baixo ventre (região pélvica). É comum que essas pacientes já tenham passado por diversas avaliações ginecológicas em busca de causas como endometriose, cistos ovarianos ou infecções, mas com exames sem alterações significativas que expliquem a intensidade dos sintomas. Em muitos desses casos, ao examinarmos a circulação, identificamos a presença das chamadas varizes pélvicas.

As varizes pélvicas consistem na dilatação anormal de veias localizadas no interior da pelve, ao redor do útero e dos ovários. Trata-se de uma patologia vascular que pode causar a Síndrome da Congestão Pélvica e, além da dor no baixo ventre, provocar o aparecimento de varizes atípicas na região genital (vulva) e na face interna das coxas. Preparei este artigo detalhado para explicar o que são as varizes pélvicas, como elas se desenvolvem, quais os sintomas associados e como realizamos a investigação diagnóstica na nossa região.

O que são as Varizes Pélvicas e a Síndrome da Congestão Pélvica?

Assim como ocorrem as varizes nas pernas, as veias no interior da cavidade pélvica (principalmente as veias ovarianas e ilíacas internas) possuem válvulas para direcionar o sangue de volta ao coração. Quando essas válvulas perdem a sua capacidade de fechamento ou quando há uma compressão extrínseca impedindo o fluxo livre, o sangue passa a acumular (represar) dentro da pelve.

Esse represamento crônico dilata as veias pélvicas, que se tornam tortuosas e calrosas, gerando um aumento da pressão venosa local. O acúmulo de sangue represado na região uterina e ovariana recebe o nome médico de Síndrome da Congestão Pélvica. Esse aumento de pressão irrita as terminações nervosas da região, desencadeando episódios de dor crônica que podem se irradiar para a região lombar, glúteos e coxas.

Quais são as principais causas?

O aparecimento das varizes na pelve está associado a uma combinação de fatores genéticos, hormonais e mecânicos. Destacam-se entre os principais gatilhos:

  • Múltiplas Gestações (Multiparidade): Durante a gravidez, o volume de sangue circulante na pelve aumenta significativamente e a produção de estrogênio e progesterona relaxa a parede dos vasos. A compressão do útero sobre os vasos pélvicos ao longo dos meses distende essas veias, que podem não retornar ao diâmetro original após o parto.
  • Predisposição Genética: Histórico familiar de insuficiência venosa e varizes nos membros inferiores.
  • Fatores Hormonais: O estrogênio possui ação vasodilatadora direta sobre as veias pélvicas, o que explica por que a doença afeta prioritariamente mulheres em fase reprodutiva e tende a regredir após a menopausa.
  • Síndromes de Compressão Venosa: Condições em que uma veia profunda é comprimida por uma estrutura adjacente, como a Síndrome de May-Thurner (compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca) ou a Síndrome de Nutcracker / Quebra-nozes (compressão da veia renal esquerda entre a aorta e a artéria mesentérica superior).

Sintomas característicos das Varizes Pélvicas

Os sintomas causados pelas varizes pélvicas podem ser variados, mas apresentam um padrão clínico característico:

  • Dor Pélvica Crônica: Sensação de peso, pressão ou dor profunda no baixo ventre que persiste por mais de seis meses.
  • Piora no Final do Dia e na Posição de Pé: A dor tende a se intensificar após longos períodos em pé ou sentada, devido ao acúmulo gradual de sangue na pelve ao longo do dia.
  • Dispareunia de Posição: Dor ou desconforto durante ou após o ato sexual, provocada pelo engurgitamento das veias pélvicas.
  • Agravamento no Período Pré-Menstrual: Os picos hormonais que antecedem a menstruação aumentam a vasodilatação, acentuando a sensação de peso.
  • Varizes Atípicas nos Membros Inferiores: Surgimento de veias dilatadas na região vulvar, períneo, nádegas ou na face posterior e interna das coxas. Essas varizes frequentemente reaparecem após tratamentos locais se a fonte de refluxo pélvico não for tratada.

Como é feito o diagnóstico em consultório?

O diagnóstico das varizes pélvicas exige a correlação entre os sintomas clínicos relatados pela paciente e os exames de imagem vascular. Na consulta inicial, realizamos um levantamento detalhado do histórico ginecológico e cirúrgico, seguido de exame físico direcionado.

A investigação por imagem envolve métodos não invasivos:

  1. Eco Doppler Vascular Transvaginal e de Membros Inferiores: O ultrassom com Doppler mapeia o diâmetro das veias ovarianas e pélvicas, identificando a presença de refluxo sanguíneo em tempo real e avaliando se há comunicação com as veias das pernas.
  2. Angiotomografia ou Angioressonância Magnética Pélvica: Exames complementares que fornecem uma visão tridimensional detalhada de toda a anatomia vascular abdominal e pélvica, sendo fundamentais para confirmar a dilatação venosa e identificar possíveis pontos de compressão extrínseca antes de qualquer planejamento terapêutico.

Opções de tratamento e acompanhamento

O tratamento das varizes pélvicas é indicado para pacientes sintomáticas e varia conforme a intensidade do desconforto e os achados anatômicos:

  • Manejo Clínico Conservador: Envolve o uso de medicações flebotônicas (que melhoram o tônus venoso), terapia hormonal sob orientação ginecológica para supressão ovariana em casos selecionados e a adoção de hábitos que facilitem o retorno venoso, como atividades físicas de baixo impacto.
  • Tratamento Endovascular (Embolização de Varizes Pélvicas): Trata-se de um procedimento minimamente invasivo feito em ambiente hospitalar especializado. Por meio de um cateterismo periférico (geralmente pela virilha ou braço), o cirurgião vascular navega até as veias pélvicas doentes e realiza a oclusão desses vasos através da liberação de pequenas molas (coils) ou substâncias esclerosantes. O procedimento interrompe o refluxo no local, fazendo com que o sangue seja redirecionado para veias pélvicas saudáveis.

Atendimento especializado em Porto Alegre e Canoas

Para a investigação de dor pélvica crônica associada a sintomas vasculares na Região Metropolitana, as avaliações são distribuídas em pontos de fácil acesso. Em Porto Alegre, o atendimento está disponível na clínica Diagsul, na Rua Ramiro Barcelos (Bairro Floresta). Em Canoas e municípios vizinhos, as consultas ocorrem na Clinicare.

Se você apresenta dor crônica no baixo ventre, peso nas pernas ou varizes de localização atípica na região das coxas e quadril, agende uma consulta clínica para avaliarmos a saúde do seu sistema venoso.

Artigo escrito pelo Dr. Fábio Gomes (CRM-RS 26488 / RQE 17673 / RQE 23922). Este conteúdo tem caráter puramente educativo e de orientação social, não substituindo a avaliação médica em consultório para fins de diagnóstico ou tratamento de condições específicas.